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2010-03-02 - 08:40:01
Rodolpho del Guerra

O vidro de pimenta

Desde que chegara ao Brasil, a italiana Caterina comunicava-se frequentemente com a irmã Virgínia. Além das cartas, as duas presenteavam-se com as raridades e as novidades deliciosas dos dois países. Do Brasil iam frutas, feijão, arroz.... Da Itália chegavam macarrão, doces, temperos...
Não se importavam com as altas tarifas do correio.
Caterina vestiu-se de luto com a morte da querida mãe distante.  Mas as trocas de presentes e guloseimas continuaram sem interrupções.
Nos natais, os parentes de Caterina e do marido reuniam-se num grande almoço. Ela caprichava nos detalhes: toalha e guardanapos de linho, pratos de porcelana, talheres brilhantes e pesados, flores e arranjos natalinos, pequenos presentes embalados em coloridos papéis...
Dias antes de um Natal, Caterina recebeu o pacote chegado da Itália. Ela separou para a festa o macarrão, o vinho e o pequeno vidro de pimenta.
Naquele Natal chuvoso, chegaram, com presentes, os muitos parentes e alguns amigos para o almoço, elogiando a artística grande mesa.
Acomodados, as iguarias foram servidas.
Caterina trouxe para a mesa o vidrinho de pimenta, exigindo que todos experimentassem o delicioso tempero italiano. E o vidro passou de mão em mão. Uns olhavam para os outros e todos disseram que a pimenta era insípida, sem o gostoso sabor da Itália...
Era noite, quando os convidados saíram com merecidos parabéns à Caterina. Ela desculpava-se por ter exigido que todos experimentassem a pimenta-do-reino italiana, que perdera o sabor...
Quinze dias depois da festa, Caterina recebeu a carta da irmã Virgínia, escrita muito antes do Natal. Chorosa, ela ainda falava da morte da mãe e da resolução da família de cremar o cadáver.
Num trecho, ela escreveu o parágrafo que traduzo:
“(...) Era preciso que você, como filha, recebesse um pouco dos restos de nossa mãe. Coloque-o no jazigo da família no Brasil.”
“Para fugir da exigente e cara alfândega, eu coloquei as santas cinzas de mamãe num vidro de pimenta que está entre os comestíveis.” (...)
Caterina guardou esse segredo durante muitos e muitos anos, evitando o repentino mal-estar que a verdade causaria...
No leito de morte, ela relatou o fato ao seu maduro neto, que o contou a mim...
Transformo-o numa crônica.
5/ 2/ 2010.


As meninas do Orfanato, hoje Educandário São José, nos anos 60, acompanhadas de cinco freiras:
Maria Benigna Coelho dos Santos, à esquerda; Maria Gasperina Baggio; Maria Gertrudes Lopes;

Maria Conceição Labatty (superiora); Maria Domitila do Socorro e Maria Eunice Reis


No pátio do “Euclides da Cunha”, alunos da Escola Normal, nos anos 50. Da esquerda para a direita, em pé:
José Luiz Casagrande, José Longo, Carlinhos Fernandes, Celim Draib, Roberto Simões, n.i., o inspetor de alunos Wilson Faria e Luiz Paulo Ribeiro Nogueira. Agachados: Plínio Perassi, José Bento, Nivaldo Gervásio,
Toninho Ribeiro Nogueira, Holdrado Lelis e José Emílson Ricci


Atletas e acompanhantes na praia do Gonzaga, em setembro de 1937. Da esquerda para a direita, em pé:
jogador do “Espanha” de Santos, João Meirelles, Bicudo (jogador do RPFC), Wanderlei Meirelles e
Salvador Meirelles. Agachados: Constantino Fecuri e Ernesto Bonino


Baile Branco na AAR, na Semana Euclidiana de 1971. Da esquerda para a direita: Selma Regina da Silva,
Elizabeth Taddei, Maria Lucy Scali e Juçara C. de Vilhena

 




















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