Definir metas, poupar e investir. Deveria ser este o exercício diário dos administradores municipais principalmente neste período em que o país vai baixando a poeira de uma crise que afetou o setor produtivo e prejudicou também as arrecadações municipais. Quem queimou reservas financeiras de forma desnecessária, aplicando em festas e gastando com aquisições extravagantes esqueceu de olhar para o futuro. E o futuro não perdoa. Deixar para amanhã o que se deveria ter feito ontem pode ser tarde demais, além de custar muito caro. E caro tem sido e será a conta paga pelo munícipe rio-pardense, como se verá nesta edição, na reportagem Situação é de caos na infraestrutura.
Os problemas noticiados aqui, se não são provocados pela ação do homem mas sim pelas forças da natureza, se agravam exatamente pela falta de ação. Pela inércia, e pelo excesso de confiança.
São José do Rio Pardo está um buraco só, grosso modo falando, para retratar de forma sintética a situação que a cidade enfrenta nestes dias de chuva. Poderia ter sido diferente se nos períodos de estiagem, a cidade tivesse se preparado. Ao contrário disso, as preocupações foram apenas aparar a grama, pintar as guias, iluminar as ruas, soltar fogos, fazer festas.
Se tivesse feito a coisa certa, a administração não precisaria culpar a Câmara pelos seus infortúnios, dizer que a falta de remédios e de serviços e obras são de responsabilidade dos vereadores. O que houve foi dinheiro mal gasto.
A exemplo da reportagem citada, as obras da Avenida Perimetral pararam bem antes da aprovação do orçamento. A falta de medicamentos, segundo relatos de usuários da Farmácia Municipal, acontece há vários meses – assuntos estes abordados por aqui muito antes, também, da aprovação do orçamento. O jornal publicou em fins de novembro e durante dezembro, a preocupação da Câmara e também da população, sobre a resistência da administração em aceitar as emendas apresentadas pela Câmara à peça orçamentária.
É inadmissível que uma administração que se diz transformadora se mostre completamente dependente da vontade da Câmara.
Entretanto, a dependência nada mais é do que a conseqüência de não pensar no futuro. É o excesso de confiança. É a falta de planejamento.
Também é falta de planejamento, ou de responsabilidade administrativa, deixar fornecedores sem receber pelos serviços e produtos para depois sair dizendo que tudo está azul. Isto é ‘fazer graça com o chapéu alheio’, como sabiamente fala o povo. Esta conta, no final, sai muito cara. E o preço é pago por todos os cidadãos.