
Governo elevou em 16% o tributo e professores pedem produtos “de marca” aos pais
Eduardo Eron
As aulas estão voltando e as papelarias da cidade já lucram com a grande procura por material escolar. O jornal procurou nesta semana duas lojas centrais para verificar as variações médias de custo em relação ao ano passado e outras informações úteis aos pais, que já fazem as contas para ver o quanto irão gastar.
No Papelaria Astolpho, uma das mais tradicionais da região, o proprietário Ricardo Celso Astolpho disse que há vários produtos, neste ano, que tiveram até redução de preço em decorrência da queda do dólar. O grande vilão deste segmento, segundo ele, é a tributação: desde 1º de maio de 2009 entrou em vigor uma portaria que aumentou a carga tributária no estado de São Paulo, afetando os produtos lançados este ano. Já os produtos estocados poderão ter até redução em relação ao ano anterior.
A sistemática da tributação (tributando na fonte) é considerada inteligente e excelente para o Estado, segundo Astolpho. “Mas acaba afetando o cálculo do valor final do produto e quem acaba pagando por isso é sempre o consumidor”, observou. “Com isso, os novos cadernos, por exemplo, já vêm com 16% de imposto a mais sobre o valor do custo”.
“Na prática, é como se o governo acabasse com o Simples”, opinou. “O problema neste ano não está no custo ou no preço do material escolar e sim na tributação, que aumentou”, reiterou.
Vários fabricantes e alguns comerciantes de material escolar até reduziram seus lucros para não repassar esse adicional de tributação aos consumidores. “O único que não perdeu nisso tudo foi o governo”, prosseguiu o comerciante, lembrando que os fabricantes modernizaram seu parque industrial porque os preços internacionais de importação melhoraram em vários setores e hoje a gama de opções aumentou muito neste segmento em todo o Brasil.
Procura mais intensa
Mesmo com todas as alterações tributárias, o movimento deste ano nas lojas especializadas está maior que no ano passado, em São José. O fato de as escolas particulares soltarem suas listas de material escolar antes das estaduais ou municipais também é um fator positivo para as lojas.
“Não há mais tumulto”, observou Ricardo. “Essa divisão de períodos de início das aulas é algo excelente para as lojas do ramo de material escolar”.
Mas, estranhamente, muitos professores estão pedindo aos pais dos alunos somente “produtos de marca”, ou seja, eles mesmos tentam definir as marcas dos vários materiais que os alunos irão usar durante o ano. Astolpho interpreta isso como uma preocupação pela qualidade, mas as lojas sempre apresentam um produto similar, de outra marca, se o cliente achar o item indicado muito caro.
Há também itens que até poucos anos atrás eram quase ignorados e agora são muito procurados. O “e.v.a”, por exemplo, que é um material dourado, vem sendo muito requisitado pelos professores de Artes e Desenho, o que obrigou as lojas a ampliarem seus estoques dele.
As escolas públicas, por outro lado, tem um fator considerado pelos donos das lojas como “uma concorrência desleal”: o governo fornece quase todo o material de graça.
A Papelaria Astolpho contratou 7 funcionários a mais neste período de retorno às aulas, totalizando agora 22 empregados. E, se os novos funcionários forem aprovados, poderão ser mantidos no emprego em função da loja nova, que está para ser inaugurada.
Mãe tenta convencer filha
A dona de casa Maria Helena Lopes, moradora do bairro Carlos Cassucci, comprou antecipadamente uma parte do material escolar que sua filha Ângela irá usar numa das escolas estaduais da cidade. Ela disse que uma parte do material deverá ser fornecida pelo governo, mas outra parte teria mesmo que ser adquirida. Ela não soube dizer quanto iria gastar, já que fez esses comentários ao jornal ainda no interior da loja.
Maria Helena considerou os preços “parecidos com os de 2009” na loja onde estava, não tendo notado tanta variação em relação ao ano passado. A maior dificuldade dela foi convencer a filha, de 14 anos, a abrir mão de mochila e de cadernos com estampa de personagens famosos e aceitar produtos de qualidade idêntica mas sem tais estampas.
“Ela não abre mão de uma mochila que viu ali”, comentou, referindo-se a uma bolsa escolar com um personagem de novela. “Mas aqui mesmo na loja tem mochila de boa qualidade e mais barata, só que ela não quer”, lamentou.
Produtos com personagens custam mais
Na Papelaria Mundo Mágico, a diretora Adriana Dias Guimarães Fernandes informou que os preços da maioria dos produtos com os quais trabalha mantiveram-se estáveis de 2009 para 2010. O que ficou caro, segundo explicou, são os itens que têm personagens (Barbie, Mickey, Batman etc), pois as empresas fabricantes são obrigadas a pagar royalties aos detentores das marcas.
“Caro não é o produto em si. Caro é a marca, o personagem estampado nesse produto”, confirmou, ressalvando porém que os materiais de boa qualidade, mesmo se custarem um pouco mais, duram mais tempo que os mais baratos. “Estojos e mochilas, por exemplo, de boa qualidade duram pelo menos o ano todo, enquanto os de má qualidade, embora mais baratos, tendem a durar apenas alguns meses”.
Adriana sugere aos pais que atentem para as promoções, geralmente feitas em cima de materiais escolares não vendidos em 2009. Esses produtos, segundo ela, são vendidos por preços menores que os lançamentos feitos neste ano.
Unigrau voltou e as demais vão começar
O Unigrau foi a escola particular de São José do Rio Pardo que deu início às aulas antes das demais. As aulas no Unigrau começaram, em todos os seus cursos, na última segunda-feira, dia 25.
As escolas Lumen, Santa Inês, De Grau em Grau e Objetivo têm o retorno às aulas marcado para o dia 2, terça-feira. Quanto às escolas municipais, a volta está marcada para o dia 8, mesma data de retorno da escola técnica Paula Souza.
Já as escolas estaduais estarão recebendo seus alunos de volta às salas de aula dez dias depois, ou seja, no dia 18 de fevereiro.