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2010-02-08 - 14:46:17
O barulhento cenário branco das ilhas
Por volta do meio-dia, elas estão em número menor nas árvores das ilhas próximas ao minizôo

Na fase final de criação dos filhotes, garças “cantam” o dia todo e dormem à noite

Eduardo Eron

São José do Rio Pardo é um dos municípios com maior quantidade de garças-boieiras na região, espécie que não se alimenta de peixes e sim de bichinhos nos pastos, nos lombos dos bois (daí o nome de “boieiras”) ou vacas, além de outros insetos.

Essas aves já fazem parte do cenário tradicional das pequenas ilhas próximas à ilha São Pedro, onde está o minizôo, embora também sejam encontradas em outros lugares do município que tenham boa arborização.

Norival Augusto Junqueira Filho, médico veterinário responsável pelos animais no minizôo, explica que essas garças freqüentam anualmente aquelas ilhas e o arvoredo próximo no período de setembro a março. Nesses meses elas montam seus ninhos nas partes altas das árvores e em seguida chocam seus ovos.

Agora em fevereiro essas aves entram na etapa final do processo de criação dos filhotes. Vários deles, porém, acabam morrendo porque caem das árvores e, como não sabem ainda voar, acabam sendo levados pelas correntezas do rio Pardo ou perdem a vida ao se chocarem com o solo.

“As garças fazem seus ninhos no alto das árvores para evitar os predadores”, explica Norival. “Os ninhos são feitos sempre a partir de setembro e em dezembro os filhotes nascem, estando agora, em fevereiro, quase na época de irem embora”.

Os moradores próximos à ilha São Pedro já se acostumaram ao cenário branco sobre as árvores e ao barulho incessante que essas aves brancas fazem durante todo o dia, a partir do amanhecer. Donas de casa ouvidas informalmente pelo jornal disseram que não se incomodam tanto com esse barulho e sim com a sujeira que as garças fazem através das fezes.

“As fezes dessas garças são ácidas e exalam um mau cheiro, além de ‘queimarem’ algumas plantas”, confirmou o veterinário. “Quanto ao barulho, é só durante o dia, pois à noite elas dormem”.

Uma dona de casa se queixou também do excesso de penas que caem diariamente e forram o quintal de sua casa, situado bem embaixo de uma das árvores onde há muitos ninhos, no bairro João de Souza. Ainda assim ela admite que as garças acabam se tornando uma atração à parte durante seis ou sete meses do ano e não imagina as ilhas sem elas.

Ave veio ao Brasil em 1960
A garça-vaqueira ou garça-boieira (Bubulcus ibis) é uma garça campestre, insetívora, nativa da África e do Sul da Europa, que invadiu a América do Norte no início do século XX e atingiu o Brasil na década de 1960. A espécie mede cerca de 49 cm de comprimento, possuindo plumagem branca que, no período reprodutivo, adquire tonalidades ferrugíneas, íris, bico e dorso amarelos. Também é conhecida pelos nomes de cunacoi e cupara (no Brasil) e carraceira (em Portugal).

Essa espécie de garça é uma fiel acompanhante do gado bovino, podendo ser vista com freqüência nos campos, procurando alimento entre aqueles animais ou mesmo atrás dos tratores.




















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