Notícias    |    Anuncie    |    Assine Gazeta   |    Contato
2010-02-01 - 11:58:21
Situação é de caos na infraestrutra rio-pardense
Antes e depois: no dia 5 de dezembro funcionários localizaram o buraco...

As chuvas das últimas semanas agravaram problemas crônicos na infraestrutura urbana e também na zona rural. Além da falta de uma resposta rápida para enfrentar os problemas, as obras iniciadas pela Prefeitura não são suficientes para melhorar a situação, e em alguns casos até pioram o que já estava ruim.
A demora para executar serviços de manutenção das vias públicas, com a conhecida operação tapa-buracos, agravou as condições de tráfego em muitas ruas e avenidas. Com a chegada das chuvas, alguns remendos feitos pela Prefeitura – em solo encharcado, além de não melhorar a situação das ruas ainda resultou no desperdício de material.
A Secretaria Municipal de Obras, com suas equipes, iniciou trabalhos para implantação de galerias para águas pluviais em algumas áreas, entretanto, a demora para a conclusão dos serviços resultou em transtornos para moradores de algumas áreas e preocupa em outras.
Para alguns munícipes, a Prefeitura culpa a Câmara, alegando que os vereadores fizeram cortes orçamentários e por isso não podem executar obras. A Câmara, por outro lado, diz que nada tem de responsabilidade sobre execução de obras, e que se a Prefeitura tivesse um controle efetivo dos seus gastos, não estaria enfrentando estes problemas.

 

Alguns exemplos
Na rua Tarsílio Siqueira, esquina com a rua Aurélio Santurbano, por exemplo, a Prefeitura instalou uma galeria de águas no ano passado. Um ano depois, o local apresenta afundamentos porque parte da terra cedeu. Em dezembro passado, parte do serviço precisou ser refeito porque a tubulação se rompeu e provocou erosão na calçada, deixando em risco a estrutura de uma das casas. Para evitar novos problemas, a Prefeitura espalhou cimento no local, mas há pelo menos três semanas, um cavalete sinaliza que a situação ainda não está resolvida, porque abaixo da esquina, o calçamento voltou a afundar, evidenciando que o trabalho precisa ser melhorado.
FOTO: ChuvaCentro (4)
O cimento colocado acima, na esquina, não evitou que outros trechos apresentassem problemas na Aurélio Santurbano

 

Na rua Cândido Faria, também no centro, o problema foi no chamado “escadão”, que liga o trecho final da rua à Francisco Glicério. No dia 5 de janeiro, quando faziam a limpeza do mato por ali, funcionários da Prefeitura constataram o surgimento de um buraco, provocado pelo rompimento de uma galeria de águas pluviais. Várias intervenções foram feitas no local, uma nova galeria de águas começou a ser construída, bem como uma caixa de contenção para comportar o volume de água. Vinte e três dias se passaram e nada de conclusão da obra, até que no final da tarde de quinta-feira (28), a chuva destruiu parte do que estava sendo feito e a água que deveria passar pela galeria invadiu casas e apavorou os moradores das imediações.
 
Perimetral sem calçadas e valas reabertas

Em outra região da cidade, as obras de galeria iniciadas pela Prefeitura na avenida Antonio Pereira Dias também não foram concluídas. As valas para instalação das tubulações voltaram a ser abertas pelas equipes de serviços, provocando nova interdição nos trecho entre o cruzamento da avenida com a rua Siqueira Campos, até a rua Comendador Luís Gonçalves Júnior; e do cruzamento com a Francisco Glicério até a rua Della Torre. Sem estes trechos, o trânsito voltou a sobrecarregar as vias secundárias como a rua José Andreolli e o trecho inicial da Siqueira Campos.
No dia 18 de janeiro a Prefeitura divulgou informações de que havia retomado os trabalhos mas, com a chuva, eles tiveram que ser suspensos outra vez. O secretário de Obras comentou na ocasião que os problemas da avenida são antigos, porque ela foi feita com asfalto de má qualidade, além da falta de bueiros, problemas de drenagem, falta de bocas de lobo, níveis de caimento incorretos, e declarou que “apesar dos transtornos momentâneos, a solução definitiva já está sendo providenciada com o total recapeamento da Avenida”. Ele afirmou que a conclusão dos serviços “deverá ocorrer em até 40 dias”.
Ainda na Perimetral - trecho da avenida Maria Aparecida Salgado Braghetta, as construções de calçadas foram interrompidas há vários meses. Na frente do bairro Capitão Alexandre Luís de Mello (Fartura) as tubulações de galerias estão expostas, intranqüilizando moradores, motoristas e pedestres que circulam diariamente por ali. “Além de não terminar o que começaram ainda deixaram um monte de entulho por aqui”, disse uma dona de casa.

 

Provocando acidente de carro
Várias semanas atrás, um policial militar vinha com seu Ford Fiesta à noite, pela Perimetral, em direção ao centro. Chovia e, nas proximidades do novo posto de combustível Maga, ele foi obrigado a jogar o veículo para a direita porque um carro em sentido contrário veio em sua direção. O carro caiu numa das tubulações de galeria, sem grade protetora, e estourou completamente a suspensão. O veículo foi guinchado a uma oficina mecânica no Jardim Aeroporto e, por ter um sistema de suspensão importado do México, já estava com os custos (só de peças) em R$ 4.500,00. O policial fez B.O. e entrou na Justiça contra a Prefeitura para que esta pague os custos e outras despesas, inclusive danos morais.

 

 Esperando a ponte desde dezembro

 

 Na zona rural, o comerciante Renato Pereira da Silva e o aposentado Reinaldo Augusto Marin vêm sofrendo com o atraso na conclusão das obras de uma ponte que leva às suas propriedades no Sítio Monte Alegre, na região da Sinovo.
Cansado de esperar pela solução, eles foram à Polícia Militar para elaborar um Boletim de Ocorrência para preservação de direitos.
Segundo o documento, a ponte de madeira caiu “uma semana antes do Natal de 2009”. O problema foi comunicado à Prefeitura, que deu início aos trabalhos mas não os concluiu. Por telefone Renato Pereira assegurou que manteve vários contatos com o secretário de Obras, Marco Aurélio Feltran, sem que este tenha dado prazo para refazimento da ponte. Renato diz que tem tido prejuízos nas suas atividades.
O aposentado Reinaldo Marin também não se conforma com a demora para a solução do problema. “Pelo menos umas três vezes uma máquina ficou ali fazendo o serviço. Ficava mais parada do que funcionando e a única coisa que aconteceu foi desviar o curso do córrego”, disse Marin que procurou a redação do jornal. Ele reclama ainda que as intervenções feitas pela Prefeitura resultaram em desmoronamento das margens do córrego, causando prejuízos ambientais, e comentou que pretende ir à promotoria de justiça. Marin considera que “as chuvas até atrapalharam” mas diz que houve muitos dias de melhoria sem que a Prefeitura tivesse retomado as obras.

 

 Secretário diz que há projeto para a rua Bonsucesso

 

Na semana passa a reportagem mostrou a preocupação de moradores da Rua Bonsucesso, onde o desmoronamento das margens de um córrego está quase destruindo a rua. Nesta semana a Prefeitura informou que, em parceria com a CETESB, está desenvolvendo um projeto para retificação e revitalização do córrego, além do aterro das margens assoreadas.
“Os moradores que moram perto deste córrego podem ficar despreocupados, pois o projeto prevê justamente a solução do problema de erosão”, informou o secretário de Obras, engenheiro Marco Aurélio Feltran, através da assessoria de imprensa. Por enquanto, a única providência no local foi a colocação de uma fita de sinalização, para mostrar que o local está parcialmente interditado. Ainda de acordo com as informações, a Prefeitura só está esperando a aprovação do projeto pela CETESB para dar início às obras no local. “E se tudo correr bem, este projeto pode ser aprovado ainda nesta semana”, destacou o secretário.

Secretário de Obras culpa a Câmara

Na tarde de ontem, sexta-feira, a redação entrou em contato com o secretário de Obras, Marco Aurélio Feltran, perguntando sobre os problemas mencionados nesta reportagem. Segundo ele, os atrasos nas obras foram causados pela demora da Câmara na apreciação dos projetos de liberação de recursos.
O secretário disse que após a liberação dos recursos, a Prefeitura iniciou os processos de compra de material para execução das obras esperando concluí-las o mais breve possível.
Sobre o estrago provocado quinta-feira pela chuva na região central, ele lembrou que a Prefeitura deu suporte às famílias que tiveram suas casas inundadas pelas águas, e que será feita uma obra emergencial naquele local, até que os trabalhos possam ser feitos em definitivo.
A questão das calçadas na Perimetral, segundo Marco Aurélio, também esbarrou na falta de material, não comprados porque a administração esperava pela liberação dos recursos. Entretanto, estas obras estão paralisadas há vários meses.
Sobre a ponte no Sítio Monte Alegre, Feltran disse que conseguiu a abertura de uma estrada para que o comerciante pudesse fazer o escoamento dos seus produtos e que tentará executar as obras da ponte o mais rápido possível, adiantando que parte dos materiais já está sendo preparado.


Mais fotos:
...no “Escadão” da Cândido Faria; no dia 28, a obra inacabada provocou danos
No bairro Fartura a construção de galerias e calçadas não foi concluída
As valas para instalação de galerias foram reabertas e a avenida interditada novamente
Depois da reportagem de Gazeta, a Prefeitura tomou providências: colocou uma fita para sinalizar
Em Boletim de Ocorrência comerciante diz que a ponte caiu antes do Natal







Gazeta do Rio Pardo - Fundada em 03/01/1909 | ANO 101