Material pode contaminar nascente, 100 metros após, que abastece vários sítios
Eduardo Eron
Um lixão clandestino está se formando na estrada rural que sai da rodovia SP 207 em direção ao Sítio Sertão Grande e outras propriedades próximas, localizados depois do bairro Carlos Cassucci. O problema é grave porque 100 metros depois do lixão há uma nascente de água potável que abastece, através de canos, as casas dos moradores que residem em sítios próximos. Como o lixão está em declive e a nascente está situada abaixo dele, o perigo de contaminação é enorme: se a água da chuva levar material tóxico à fonte, haverá sérios riscos à saúde das pessoas que bebem daquela nascente.
O lixão está localizado 1 quilômetro depois do asfalto. A estrada rural é das mais freqüentadas do município e dá acesso a várias pequenas e médias propriedades localizadas em região próxima ao Sítio Novo. A estrada, aliás, está em péssimas condições de uso em alguns pontos e alguns agricultores já reclamaram disso ao jornal, na esperança de que saia alguma notícia e a Prefeitura providencie melhorias.
Prefeitura é avisada
Não se sabe, até o momento, quem esteja jogando objetos no lixão. O sargento Aloisio Alves, que comanda a Polícia Ambiental em São José e região, disse à Gazeta do Rio Pardo que havia enviado uma viatura ao local quinta-feira, dia 4, e que voltaria a vistoriar o lixão nesta sexta-feira, quando houve o contato com o jornal. Ele garantiu ter ligado de manhã para a Prefeitura e solicitado a remoção de todo o lixo, obtendo como resposta que o serviço seria feito à tarde.
“Não foi possível fazer um flagrante porque não temos idéia de quem seja o autor ou autores e de quando o lixo é atirado lá”, disse o policial. “Aquele lugar é uma via pública pela qual transitam muitos veículos, mas cabe à Prefeitura providenciar a limpeza”.
O lixão clandestino tem de tudo: cebola velha, pneus estragados, alguns sofás (incluindo um queimado), faróis de carros novos mas quebrados, revistas e jornais antigos, telhas de amianto, restos de alimentos, sacolas plásticas, galhos de árvores, roupas velhas etc. As constantes chuvas que vêm caindo no município nas últimas semanas estão levando, com certeza, muita coisa tóxica desse lixo para baixo.
Um sitiante que mora nas proximidades, mas que pediu para não ser identificado, disse que até há pouco tempo a Prefeitura utilizava um lixão situado a dois quilômetros dali para queimar galhos de árvores, sofás e outros objetos. Como ocorreu denúncia de um vizinho contra a fumaça exalada por essa queima, a Prefeitura interrompeu esse serviço e passou a concentrar num único local – o aterro controlado, próximo à rodovia para Tapiratiba – o lixo recolhido no município.
Com isso, não se sabe ao certo quem está formando o novo lixão e, mesmo que a Prefeitura cumpra o que teria prometido ao sargento Aloísio e retire o material de lá, será preciso uma fiscalização rigorosa do Ministério Público e das autoridades sanitárias para que o problema não volte a ocorrer.